AMOR, VIGILÂNCIA E VIOLÊNCIA EM RAFIKI (2018): UMA LEITURA FEMINISTA LÉSBICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-084Palavras-chave:
Análise Fílmica, Existência Lésbica, Heteronormatividade, Amor, ViolênciaResumo
Este artigo examina como Rafiki (2018) articula amor, vigilância e violência em sua representação da experiência lésbica. Com base em uma leitura feminista lésbica do filme de Wanuri Kahiu, inspirado no conto “Jambula Tree”, de Monica Arac de Nyeko, o estudo sustenta que o filme constrói o vínculo entre Kena e Ziki como uma força de reconhecimento mútuo, ao mesmo tempo em que expõe os mecanismos familiares, sociais e institucionais mobilizados para disciplinar o desejo dissidente. Metodologicamente, a discussão concentra-se em duas sequências, lidas à luz dos conceitos de heterossexualidade compulsória, heteronormatividade, interseccionalidade e lesbofobia, em diálogo com elementos formais da linguagem cinematográfica, como enquadramento, iluminação, cor e ponto de vista. A análise mostra que Rafiki justapõe cenas de reciprocidade, calor cromático e abertura afetiva a cenas de exposição pública, humilhação e coerção, revelando, assim, que a violência contra mulheres lésbicas opera tanto em registros físicos quanto simbólicos. O artigo conclui que o filme realiza uma intervenção estética e politicamente significativa ao afirmar a legitimidade do desejo entre mulheres e ao tornar visíveis os custos sociais impostos à sua existência.
Downloads
Referências
Almeida, G., & Heilborn, M. L. (2008). Não somos mulheres gays: Identidade lésbica na visão de ativistas brasileiras. Revista Gênero, 9(1), 225–249.
Alves, B. M., & Pitanguy, J. (2017). O que é feminismo. Brasiliense.
Borrillo, D. (2009). A homofobia. In T. Lionço & D. Diniz (Orgs.), Homofobia & educação: Um desafio ao silêncio (pp. 15–45). Letras Livres.
Cohen, C. (2019). Punks, sapatonas e welfare queens: O potencial radical da política queer? Redoc, 3(3), 21–58.
Crenshaw, K. (2002). Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas, 10(1), 171–188.
Davis, A. (2017). Mulheres, cultura e política. Boitempo.
Falquet, J. (2012). Romper o tabu da heterossexualidade: Contribuições da lesbianidade como movimento social e teoria política. Cadernos de Crítica Feminista, 6(5), 8–31.
Hall, S. (1997). Representation: Cultural representations and signifying practices. Sage/Open University.
Iranti. (2019). Data collection and reporting on violence perpetrated against LGBTQI persons in Botswana, Kenya, Malawi, South Africa and Uganda. Iranti.
Lorde, A. (2019). Irmã outsider. Autêntica.
Mulvey, L. (1988). Visual pleasure and narrative cinema. In C. Penley (Ed.), Feminism and film theory (pp. 57–68). Routledge.
Navarro-Swain, T. (2000). O que é lesbianismo. Brasiliense.
Rich, A. (1980). Compulsory heterosexuality and lesbian existence. Signs, 5(4), 631–660.
Rojas, Z. O., & Mansilla, M. B. (2021). Lesbofobia: Un análisis sobre experiencias de lesbianas artistas y activistas. Femeris, 6(1), 82–101.
Kahiu, W. (Diretora). (2018). Rafiki [Filme]. Big World Cinema; Cannes Film Festival.
Nyeko, M. A. (2006). Jambula Tree. In Africa Region of the Commonwealth Foundation, African love stories: An anthology. Ayebia Clarke Publishing.
Turner, G. (1999). Film as social practice (3rd ed.). Routledge.