COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À DRENAGEM TORÁCICA POR TRAUMA EM UM HOSPITAL REGIONAL DE BRASÍLIA

Autores

  • Caio Gracco Cavalcanti da Cunha Monte
  • Vinicius Silveira Amaral
  • João Cassiano Lopes da Cruz
  • Luiz Fernando Arantes de Souza
  • Benjamin Bedin
  • Augusto Cezar do Nascimento Costa
  • Lucas Aires Ferreira Mendonça
  • Daniela de Souza Travasso
  • Lucas Alves Lustosa
  • Pamela da Silva Zambianco
  • Yohanna Rodrigues Garcia Costa
  • Izadora Midian Galvão Sarmento
  • Hugo de Freitas Queiroz
  • Larissa Figueredo Mascarenhas Medeiros

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-034

Palavras-chave:

Trauma Torácico, Drenagem Torácica, Complicações, Emergência, Perfil Epidemiológico

Resumo

Introdução: O trauma torácico permanece como importante causa de morbidade em serviços de urgência e emergência, sendo a drenagem torácica um procedimento fundamental no manejo de complicações como pneumotórax, hemotórax e hemopneumotórax. Apesar de amplamente utilizada, a técnica não é isenta de riscos, e a ocorrência de complicações pode variar conforme características clínicas, gravidade do trauma e tempo de permanência do dreno. Objetivo: Analisar o perfil clínico-epidemiológico e as complicações associadas à drenagem torácica em pacientes vítimas de trauma atendidos em um hospital público do Distrito Federal. Métodos: Estudo observacional, descritivo e analítico, retrospectivo, baseado na análise de 89 prontuários de pacientes submetidos à drenagem torácica por trauma entre março de 2023 e março de 2025. Foram avaliadas variáveis demográficas, características do trauma, aspectos procedimentais, tempo de permanência do dreno, complicações e desfechos clínicos. A normalidade das variáveis contínuas foi testada previamente, e a análise estatística foi realizada no STATA® 17.0, adotando-se p < 0,05. Resultados: Observou-se predomínio do sexo masculino (86,52%), com idade média de 44,85 ± 17,72 anos. O hemopneumotórax foi a principal indicação para drenagem (50,56%) e o hemitórax esquerdo foi o mais acometido (50,56%). Complicações associadas à drenagem ocorreram em 39,33% dos pacientes, com predomínio de complicações respiratórias e relacionadas ao dreno. O tempo médio de permanência do dreno foi maior entre pacientes com complicação geral (p = 0,0343) e com complicações relacionadas ao dreno (p = 0,0386). Desfechos graves ocorreram em 3,37% e foram associados a maior idade (p = 0,0424), ao tipo de trauma (p = 0,018) e à lateralidade da drenagem (p = 0,035). Não houve associação entre complicações e local de realização da drenagem, indicação do procedimento ou encaminhamento à cirurgia torácica (p > 0,05). Conclusão: A drenagem torácica no trauma mostrou-se essencial e eficaz, embora associada a taxas moderadas de complicações. Maior tempo de permanência do dreno e idade avançada associaram-se a piores desfechos. A padronização técnica, o treinamento contínuo e o monitoramento rigoroso podem contribuir para reduzir complicações e otimizar resultados clínicos.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

Monte, C. G. C. da C., Amaral, V. S., da Cruz, J. C. L., de Souza, L. F. A., Bedin, B. ., Costa, A. C. do N. ., Mendonça, L. A. F. ., Travasso, D. de S. ., Lustosa, L. A. ., Zambianco, P. da S. ., Costa, Y. R. G. ., Sarmento, I. M. G. ., Queiroz, H. de F. ., & Medeiros, L. F. M. . (2026). COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À DRENAGEM TORÁCICA POR TRAUMA EM UM HOSPITAL REGIONAL DE BRASÍLIA. Revista De Geopolítica, 17(1), e1263 . https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-034