INTERNACIONALIZAÇÃO E ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: OBSERVANDO PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA DO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-221Palavras-chave:
Internacionalização, Ensino de Língua Inglesa, Plataformas Digitais, Identidade Docente, DecolonialidadeResumo
A educação básica brasileira tem experimentado transformações significativas, com a internacionalização tornando-se uma diretriz pedagógica. No Paraná, políticas públicas promovem plataformas digitais para fortalecer o ensino de inglês e preparar estudantes para um mundo globalizado. Esta pesquisa analisa as ferramentas digitais promovidas pela Secretaria de Estado da Educação (SEED-PR) sob uma perspectiva crítica, focando na tensão entre classificações formais (ILF vs. ILE) e as práticas efetivas de sala de aula. A investigação adotou uma abordagem qualitativa, incluindo revisão bibliográfica sobre ideologias linguísticas, produção de diário autorreflexivo e observações de campo via PIBID em uma escola pública. Resultados: As observações evidenciaram contradições entre os objetivos formais de internacionalização e a realidade escolar, como infraestrutura precária (fones limitados) e uma lógica pedagógica sequencial que ignora a natureza fluida da linguagem. Constatou-se que a plataforma "Inglês Paraná Teens" promove variedades hegemônicas do inglês, muitas vezes silenciando vozes locais. O estudo destaca que a agência docente e a mediação crítica são essenciais para evitar que recursos digitais se tornem ferramentas de reprodução mecânica. Uma internacionalização autêntica exige atenção às condições materiais, às ideologias linguísticas e ao fortalecimento da autonomia do professor.
Downloads
Referências
CANAGARAJAH, Athelstan Suresh. Translingual practice: Global Englishes and cosmopolitan relations. London: Routledge, 2013.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 40. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GIMENEZ, Telma. et al. Inglês como língua franca: desenvolvimentos recentes. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 15, p. 593–619, 2015.
HALL, Christopher J. Moving beyond accuracy: from tests of English to tests of ‘Englishing’. ELT Journal, Oxford, v. 68, n. 4, p. 376-385, out. 2014.
HALL, Joan Kelly. Teaching and Researching Language and Culture. 2. ed. London: Routledge, 2014.
IRVINE, Judith; GAL, Susan. Language ideology and linguistic differentiation. In: GOFFMAN, E. (Ed.). Regimes of language. New York: Academic Press, 2000. p. 35–83.
KROSKRITY, Paul. Language ideologies. In: DURANTI, Alessandro (Ed.). A Companion to Linguistic Anthropology. Oxford: Blackwell, 2004. p. 496–517.
KUMARAVADIVELU, Bala. Language pedagogy in a postmethod world: Theory, practice, and research. London: Routledge, 2012.
KUMARAVADIVELU, Bala. Understanding language teaching: from method to postmethod. Mahwah: Lawrence Erlbaum Associates, 2006.
MARTINS, Tainá Almeida Alves; LIMA, Diógenes Cândido de. Ideologia e ensino de língua inglesa: relações e implicações. Signum: Estudos da Linguagem, Londrina, v. 18, n. 2, p. 303-325, 2015.
MINISTÉRIO PÚBLICO. Objetivos formais da internacionalização. 2024. Disponível em: < https://mppr.mp.br/Atuacao-Educacao>. Acesso em: 03 set. 2025.
MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario T. A construção social da diferença e a política de identidade na aula de língua estrangeira. In: SIGNORINI, Inês; CAVALCANTI, Marilda (orgs.). Linguística aplicada e transdisciplinaridade: questões e perspectivas. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. p. 159-180.
PENNYCOOK, Allastair. Critical approaches to TESOL. TESOL Quarterly, v. 35, n. 4, p. 535–558, 2001.
_______________. English and the discourses of colonialism. London: Routledge, 1998.
_______________. Language as a local practice. London: Routledge, 2007.
_______________. The cultural politics of English as an international language. London: Routledge, 2010.
REVUZ, Jacqueline. A segunda língua: ensino e aquisição. Campinas: Pontes, 1998.
SEIDLHOFER, Barbara. Understanding English as a lingua franca. Oxford: Oxford University Press, 2011.
SHOHAMY, Elana; GORTER, Durk. Linguistic landscape: Expanding the scenery. London: Routledge, 2009.
SILVERSTEIN, Michael. Language structure and linguistic ideology. In: CLYNE, Paul; HANKS, William; HOFBAUER, Carol (Org.). The Elements: A Parasession on Linguistic Units and Levels. Chicago: Chicago Linguistic Society, 1979. p. 193–247.
SPOLSKY, Bernard. Language policy. Cambridge: Cambridge University Press, 2017.