A TERCEIRIZAÇÃO DA REGULAÇÃO EMOCIONAL: O USO DE SMARTPHONES E A FRAGILIZAÇÃO DA MEDIAÇÃO HUMANA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-006Palavras-chave:
Dependência Digital, Regulação Emocional, Smartphones, Mediação Educativa, HiperconectividadeResumo
Este artigo analisa a dependência digital na cultura contemporânea a partir de sua articulação com processos de regulação emocional, com ênfase na terceirização dessas funções para smartphones. Parte-se do pressuposto de que, na era da hiperconectividade, esses dispositivos têm sido incorporados como mediadores da experiência emocional, desempenhando funções regulatórias diante de estados afetivos negativos. Nesse contexto, seu uso configura-se como estratégia de enfrentamento, evidenciando o deslocamento da mediação emocional das interações humanas para ambientes digitais. O objetivo é compreender os impactos desse padrão na saúde mental, nas relações sociais e nos processos educativos, com atenção à fragilização da mediação humana e à vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Metodologicamente, trata-se de pesquisa bibliográfica analítica, baseada na revisão crítica da literatura e na análise de marcos normativos, com destaque para o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025). Os resultados indicam prejuízos ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social, além do comprometimento das interações familiares. Conclui-se que a dependência digital é fenômeno multifatorial que exige integração de dimensões psicológicas, socioculturais e normativas, sendo a mediação qualificada central para uma relação equilibrada com as tecnologias digitais. Recomenda-se o desenvolvimento de práticas educativas que promovam uso crítico e consciente das tecnologias digitais.
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