MEDITAÇÃO NA ESCOLA: TENSÕES ENTRE COLONIALIDADE E APROPRIAÇÃO CULTURAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n6-072Palavras-chave:
Decolonialidade, Epistemologia, Escola, Interculturalidade Crítica, Práticas MeditativasResumo
A expansão de programas de meditação em contextos escolares tem sido sustentada por um corpus crescente de evidências científicas, cuja produção permanece concentrada no Norte Global e desvinculada das condições socioculturais dos contextos que os recebem. Este artigo analisa como a implementação da atenção plena nas escolas expressa e reproduz a colonialidade do saber, identificando três mecanismos articulados: a hegemonia linguística do termo mindfulness e sua resistência à tradução localizada; a secularização como despojamento epistêmico das tradições budistas e hinduístas de origem; e a concentração geográfica e disciplinar da produção científica e sua aplicação universalizante. O estudo fundamenta-se nos resultados de uma tese de doutorado que combinou revisão de literatura, revisão sistemática com 20 estudos selecionados a partir de 288 registros, análise categorial qualitativa e análise interpretativa, orientadas pelo referencial decolonial e pelos conceitos foucaultianos de biopoder e governamentalidade. A revisão sistemática revelou que todos os periódicos do corpus são provenientes do Norte Global, que raça e etnia estão ausentes dos modelos analíticos da maioria dos estudos, e que efeitos adversos não foram registrados em nenhum dos 20 artigos. A análise crítica evidenciou que a atenção plena, ao ser descontextualizada de suas matrizes filosóficas e cooptada pela lógica de mercado, pode operar como tecnologia de governamentalidade, ajustando comportamentos às normas institucionais sem interrogar as condições estruturais que produzem o sofrimento que pretende aliviar. Propõe-se que uma incorporação não colonial da prática nas escolas exige o reconhecimento de epistemologias locais como centrais, a garantia do protagonismo de agentes culturais nos processos de decisão e a adoção da interculturalidade crítica como princípio pedagógico estruturante, e não como recurso decorativo.
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