TRIAGEM DE LEVEDURAS AMBIENTAIS DO CERRADO QUANTO À PRODUÇÃO DE ENZIMAS HIDROLÍTICAS DE INTERESSE BIOTECNOLÓGICO

Autores

  • Antonia Fábia do Nascimento Freire
  • Bruna Peregrino de Souza
  • Ivan Cavalcanti Lino
  • Uam Gabriel Brirto de Almeida
  • Elida Simone Guido
  • Felipe da Silva Figueira
  • Aurizangela Oliveira de Sousa
  • Taides Tavares dos Santos

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-047

Palavras-chave:

Biotecnologia, Biodiversidade, Enzimas, Leveduras

Resumo

Leveduras ambientais representam uma fonte pouco explorada de novas enzimas hidrolíticas com potencial biotecnológico. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial de produção de enzimas hidrolíticas por leveduras ambientais do Cerrado. As leveduras testadas (18 isolados) eram provenientes de frutos da lobeira (Solanum licocarpum), frutos e pseudofrutos de caju (Anacardium occidentale), fruto de pequi (Caryocar coriaceum), superfície corpórea de Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) e de grãos de milho (Zea mays). Os isolados foram cultivados e/ou reativados em meio Batata Dextrose Ágar (BDA), a 25 ± 3°C, 48 h. Foi realizada triagem para produção de amilases, celulases, pectinases e proteases em meio sólido e foram calculados índices de atividade enzimática (IAE). Do total de isolados testados (18), 44,4% demonstraram atividade celulolítica, 27,8% amiloítica e 22,2% pectinolítica. Nenhum apresentou atividade proteolítica. Os isolados LC2, LC1 e P2L1 apresentaram atividade para três (celulase, amilase e pectinase) das quatro enzimas testadas. O isolado LC2 apresentou os melhores IAEs, atingindo melhor IEA para atividade celulítica em pH ácido. Concluiu-se que leveduras com potencial biotecnológico, como os isolados LC2, LC1 e P2L1, podem ser obtidas a partir de substratos ambientais, sobretudo frutos e pseudofrutos comestíveis. Estudos como este reforçam a importância de se investir em conservação e valorização da biodiversidade do Cerrado.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Alves, M. M. D. S. (2017). Potencial biotecnológico de bactérias e leveduras isoladas da casca do coco-verde (Cocos nucifera) em fermentação (Tese de Doutorado). Instituto de Química e Biotecnologia, Universidade Federal de Alagoas, Maceió.

Anagnostakis, S. L., & Hankin, L. (1975). Use of selective media to detect enzyme production by microorganisms in food products. Journal of Milk and Food Technology, 38(10), 570–572.

Barbosa, P. M. G., et al. (2020). Leveduras selvagens isoladas do caldo de cana com perfil para a produção de enzimas. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, 17(2).

Bonfim, F. S. (2014). Diversidade de leveduras endofíticas em plantas medicinais (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

Borzani, W., et al. (2001). Biotecnologia industrial (v. 2). São Paulo: Edgard Blücher.

Buzzini, P., & Martini, A. (2002). Extracellular enzymatic activity profiles in yeast and yeast-like strains isolated from tropical environments. Journal of Applied Microbiology, 93(6), 1020–1025.

Cattelan, A. J. (1999). Métodos quantitativos para a determinação de características bioquímicas e fisiológicas associadas com bactérias promotoras de crescimento vegetal (36 p.). Londrina: Embrapa Soja.

Ceska, M. (1971). Enzyme catalysis of solidified media. European Journal of Biochemistry, 22(2), 186–192.

Chaplin, M. F., & Bucke, C. (1992). Enzyme technology. Cambridge: Cambridge University Press.

Cordeiro, C. A. M., Martins, M. L. L., & Luciano, A. B. (2002). Produção e propriedades da alfa-amilase do termofílico Bacillus sp. Revista Brasileira de Microbiologia, 33, 57–61.

Couto, F. M. M. (2008). Leveduras produtoras de β-glicosidase e pectinase (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

Farinas, C. S. (2011). A parede celular vegetal e as enzimas envolvidas na sua degradação (13 p.). São Carlos: Embrapa Instrumentação.

Gupta, R., et al. (2003). Microbial α-amylases: A biotechnological perspective. Process Biochemistry, 38(11), 1599–1616.

Hankin, L., & Anagnostakis, S. L. (1975). The use of solid media for detection of enzyme production by fungi. Mycologia, 67(3), 597–607.

Jay, J. M. (1992). Microbiologia moderna dos alimentos (3ª ed.). Zaragoza: Acribia.

Koelsch, G., et al. (2000). Enzymic characteristics of secreted aspartic proteases of Candida albicans. Biochimica et Biophysica Acta, 1480(1–2), 117–131.

Kumar, A., et al. (2023). Industrial applications of fungal lipases: A review. Frontiers in Microbiology, 14, 1142536. https://doi.org/10.3389/fmicb.2023.1142536

Kurtzman, C. P., & Fell, J. W. (Eds.). (1998). The yeasts: A taxonomic study (4ª ed., rev. and enl., v. 1). Amsterdam: Elsevier.

Lin, J. E., Chang, D. C. N., & Shen, G. J. (1991). Correlations among several screening methods used for identifying wood-decay fungi that can degrade toxic chemicals. Biotechnology Techniques, 5(5), 275–280.

Machado, M. A. A. (2015). Isolamento e seleção de leveduras para produção de enzimas de interesse industrial a partir de frutos do Cerrado (Dissertação de Mestrado em Biotecnologia). Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande.

Maijala, P., Fagerstedt, K. V., & Raudaskoski, M. (1991). Detection of extracellular cellulolytic and proteolytic activity in ectomycorrhizal fungi and Heterobasidion annosum. New Phytologist, 117(4), 643–648.

Melo, W. G. P., et al. (2019). Interações simbióticas entre microrganismos e insetos. RG News, 5(1), 48–56.

Moreira, F. M. S., & Siqueira, J. O. (2006). Microbiologia e bioquímica do solo (2ª ed., v. 1). Lavras: UFLA.

Motta, J. F. G., et al. (2023). Use of enzymes in the food industry: A review. Food Science and Technology, 43, e106222. https://doi.org/10.1590/fst.106222

Oliveira, A. N. D., et al. (2006). Enzimas hidrolíticas extracelulares de isolados de rizóbia nativos da Amazônia Central. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 26(4), 853–860.

Peixoto, A. B. (2006). Estudo da produção de enzimas e gomas por leveduras selvagens coletadas em diversas regiões do Brasil (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Raju, E. V. N., & Divakar, G. (2013). Screening and isolation of pectinase producing bacteria from various regions of Bangalore. International Journal of Pharmaceutical and Biomedical Research, 4(1), 151–154.

Ribeiro Júnior, J. C. (2015). Isolamento e identificação da microbiota esporulada e fúngica associada à deterioração do leite (Dissertação de Mestrado em Ciência Animal). Universidade Estadual de Londrina, Londrina.

Rodarte, M. P. (2005). Atividade proteolítica de bactérias, leveduras e fungos isolados dos frutos e grãos de café (Coffea arabica L.) (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Lavras, Lavras.

Santos, T. T., et al. (2019). The digestive tract of Phylloicus (Trichoptera: Calamoceratidae) harbours different yeast taxa in Cerrado streams, Brazil. Symbiosis, 77(2), 147–160. https://doi.org/10.1007/s13199-018-0577-9

Silva, B. N., et al. (2023). Fungi from the body surface of Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) and bioassay of insecticidal activity. Observatorio de la Economía Latinoamericana, 21(9), 13647–13671. https://doi.org/10.55905/oelv21n9-170

Silva, E. M., et al. (2024). Investigation of the presence and enzymatic activity of fungi in stored corn (Zea mays L.) and soybean (Glycine max (L.) Merrill) grains. Caderno Pedagógico, 21(4), 1–21. https://doi.org/10.54033/cadpedv21n4-062

Sohail, M., et al. (2022). Cellulolytic and xylanolytic enzymes from yeasts: Properties and industrial applications. Molecules, 27(12), 3783. https://doi.org/10.3390/molecules27123783

Spencer, J. F., & Spencer, D. M. (1996). Maintenance and culture of yeasts. Methods in Molecular Biology, 53, 5–15.

Spier, M. R. (2005). Produção de enzimas amilolíticas fúngicas α-amilase e amiloglucosidase por fermentação (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

Stamford, T. L. M., Araújo, J. M., & Stamford, N. P. (1998). Atividade enzimática de microrganismos isolados do jacatupé (Pachyrhizus erosus L. Urban). Ciência e Tecnologia de Alimentos, 18(4).

Strauss, M. L. A., et al. (2001). Screening for the production of extracellular hydrolytic enzymes by non-Saccharomyces wine yeasts. Journal of Applied Microbiology, 91(1), 182–190.

Sukmawati, D., et al. (2023). The potential of cellulolytic yeast Pichia manshurica UNJCC Y-123, Saccharomyces cerevisiae UNJCC Y-84, and Saccharomyces cerevisiae UNJCC Y-83 to produce cellulase enzyme. Trends in Sciences, 20(10), 1–15. https://doi.org/10.48048/tis.2023.6950

Tavafi, H., et al. (2017). Screening of alginate lyase-producing bacteria and optimization of medium composition for extracellular production. Iranian Biomedical Journal, 21(1), 48–56.

Teixeira, M. F. N. P., Souza, C. R., & Morais, P. B. (2022). Diversity and enzymatic capabilities of fungi associated with the digestive tract of larval stages of a shredder insect in Cerrado and Amazon Forest, Brazil. Brazilian Journal of Biology, 82, e260039.

Wanderley, K. J., et al. (2004). Caracterização bioquímica da α-amilase da levedura Cryptococcus flavus. FEMS Microbiology Letters, 231(2), 165–169.

Zaky, A. S., et al. (2014). Marine yeast isolation and industrial application. FEMS Yeast Research, 14(6), 813–825. https://doi.org/10.1111/1567-1364.12158

Downloads

Publicado

2026-04-13

Como Citar

Freire, A. F. do N., de Souza, B. P., Lino, I. C., de Almeida, U. G. B., Guido, E. S., Figueira, F. da S., de Sousa, A. O., & dos Santos, T. T. (2026). TRIAGEM DE LEVEDURAS AMBIENTAIS DO CERRADO QUANTO À PRODUÇÃO DE ENZIMAS HIDROLÍTICAS DE INTERESSE BIOTECNOLÓGICO. Revista De Geopolítica, 17(4), e2088. https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-047