QUANDO A BIOMIMÉTICA SE TORNA UM BUZZWORD: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO SEU USO INADEQUADO NA ODONTOLOGIA RESTAURADORA

Autores

  • Pedro Guimarães Sampaio Trajano dos Santos
  • Rosana Maria Coelho Travassos
  • Vanda Sanderana Macedo Carneiro
  • Maria Regina Almeida de Menezes
  • Viviane Ferreira Guimarães Xavier
  • Tereza Augusta Maciel
  • Priscila Prosini
  • Vanessa Lessa Cavalcanti de Araújo
  • Verônica Maria de Sá Rodrigues
  • Josué Alves
  • Adriane Tenório Dourado Chaves
  • Silvana Maria Orestes Cardoso

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-083

Palavras-chave:

Biomimética, Odontologia Restauradora, Odontologia Adesiva, Materiais Dentários, Odontologia Minimamente Invasiva, Prática Baseada em Evidências, Uso Conceitual Inadequado, Odontologia Biomimética

Resumo

Objetivo: Avaliar criticamente o conceito de biomimética na odontologia restauradora e identificar casos de seu uso inadequado ou generalização excessiva na literatura contemporânea e na prática clínica.

Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa utilizando as principais bases de dados científicas, incluindo PubMed, Scopus e Google Scholar. Artigos que discutiam princípios biomiméticos, materiais restauradores e técnicas clínicas foram avaliados. Ênfase foi dada à identificação de discrepâncias entre abordagens verdadeiramente biomiméticas e aplicações motivadas por marketing ou conceitualmente imprecisas.

Resultados: A biomimética tem sido amplamente adotada na odontologia restauradora, frequentemente associada a técnicas adesivas e abordagens minimamente invasivas. No entanto, a revisão identificou um uso frequente inadequado do termo, com muitos materiais e técnicas sendo rotulados como “biomiméticos” sem replicar adequadamente as propriedades estruturais, mecânicas ou funcionais dos tecidos dentais naturais. Essa diluição conceitual pode levar à confusão entre os clínicos e à má interpretação das evidências científicas. Além disso, a falta de definições padronizadas contribui para a aplicação inconsistente tanto no contexto de pesquisa quanto clínico.

Conclusão: Embora a biomimética continue sendo um princípio orientador valioso na odontologia restauradora, seu uso como buzzword mina o rigor científico e a clareza clínica. Definições claras e critérios baseados em evidências são necessários para garantir sua aplicação adequada. Pesquisas futuras devem buscar alinhar o desenvolvimento de materiais e protocolos clínicos com os verdadeiros princípios biomiméticos.

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Referências

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Publicado

2026-04-20

Como Citar

dos Santos, P. G. S. T., Travassos, R. M. C., Carneiro, V. S. M., de Menezes, M. R. A., Xavier, V. F. G., Maciel, T. A., Prosini, P., de Araújo, V. L. C., Rodrigues, V. M. de S., Alves, J., Chaves, A. T. D., & Cardoso, S. M. O. (2026). QUANDO A BIOMIMÉTICA SE TORNA UM BUZZWORD: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO SEU USO INADEQUADO NA ODONTOLOGIA RESTAURADORA. Revista De Geopolítica, 17(4), e2153. https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-083