IMPACTOS DA REORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES NO PERÍODO PÓS-PANDEMIA: IMPLICAÇÕES PARA A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E DESAFIOS PARA A RECUPERAÇÃO DA COBERTURA VACINAL NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-091Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Cobertura Vacinal, COVID-19, Programa Nacional de Imunizações, VacinaçãoResumo
Considerando a redução progressiva das coberturas vacinais no Brasil, intensificada no contexto da pandemia de COVID-19, e os desafios impostos à organização dos serviços de saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde, justifica-se a necessidade de analisar criticamente os efeitos da reorganização do Programa Nacional de Imunizações no período pós-pandêmico. Objetiva-se analisar os impactos da reorganização do Programa Nacional de Imunizações no período pós-pandemia, com foco nas implicações para a Atenção Primária à Saúde e nos desafios relacionados à recuperação da cobertura vacinal no Brasil.Para tanto, procede-se à realização de uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e caráter analítico-crítico, a partir de estudos publicados entre 2023 e 2025 nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde, além de documentos institucionais do Ministério da Saúde. Desse modo, observa-se que a reorganização do PNI reposiciona a Atenção Primária como eixo central das estratégias de retomada da vacinação, evidenciando avanços relacionados ao microplanejamento territorial, à integração entre vigilância e cuidado e ao uso de tecnologias em saúde, embora persistam fragilidades estruturais, desigualdades regionais e obstáculos socioculturais associados à hesitação vacinal. O que permite concluir que a recuperação sustentável da cobertura vacinal depende do fortalecimento contínuo da Atenção Primária à Saúde, da articulação entre gestão, tecnologia e território, bem como da adoção de estratégias integradas que reconheçam a complexidade social e organizacional do cuidado em saúde no contexto pós-pandêmico brasileiro.
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