O MERCADO DE CARBONO: PRECIFICAÇÃO ARTIFICIAL, BARREIRAS BUROCRÁTICAS E INEFICIÊNCIA ECONÔMICA

Autores

  • Paulo Eterno Venâncio Assunção

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov16n4-024

Palavras-chave:

Mercado de Carbono, Precificação Artificial, Custos de Transação, Escola Austríaca de Economia

Resumo

O mercado de carbono foi criado como um mecanismo para internalizar a externalidade negativa das emissões de gases de efeito estufa (GEE), promovendo a comercialização de créditos de carbono. No entanto, sua estrutura apresenta falhas significativas, especialmente no que diz respeito à precificação artificial, aos elevados custos de transação e às barreiras burocráticas. A precificação dos créditos de carbono não reflete escassez real, pois depende regulamentações políticas e intervenções governamentais, resultado em volatilidade e distorções de mercado. Além disso, estruturas como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) possuem requisitos de certificação complexos, que tornam o acesso ao mercado restrito a grandes corporações, excluindo pequenos produtores e países em desenvolvimento. Sob a ótica da Escola Austríaca de Economia, o mercado de carbono se configura como um sistema artificialmente criado, no qual os incentivos são distorcidos e a alocação eficiente de recursos é comprometida. A partir dessa análise crítica, este estudo questiona a viabilidade do mercado de carbono como ferramenta eficaz para mitigação das mudanças climáticas e sugere alternativas baseadas em inovação tecnológica.

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Publicado

2025-08-28

Como Citar

Assunção, P. E. V. (2025). O MERCADO DE CARBONO: PRECIFICAÇÃO ARTIFICIAL, BARREIRAS BUROCRÁTICAS E INEFICIÊNCIA ECONÔMICA. Revista De Geopolítica, 16(4), e657. https://doi.org/10.56238/revgeov16n4-024