MÉTODO FFREIIA: ABORDAGEM SISTEMATIZADA PARA A INTERPRETAÇÃO DO ELETROCARDIOGRAMA DE 12 DERIVAÇÕES PARA O NÃO ESPECIALISTA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-067Palavras-chave:
Eletrocardiograma, Interpretação de ECG, Educação Médica, Diagnóstico Clínico, Método SistemáticoResumo
A interpretação do eletrocardiograma (ECG) ainda que na era da Inteligência Artificial, representa um desafio para muitos profissionais de saúde fora da especialidade cardiológica. Diante disso, os autores propõem o método FFREIIA-A, uma ferramenta sistematizada e didática com o objetivo de orientar a análise do ECG de 12 derivações por estudantes e profissionais não especialistas. A abordagem busca equilibrar simplicidade com rigor técnico, promovendo maior segurança diagnóstica e aprendizado progressivo. O método organiza a interpretação eletrocardiográfica em sete etapas sequenciais: Forma, Frequência cardíaca, Ritmo, Eixo cardíaco, Intervalos, Isquemia/Infarto e Alterações, seguidos por uma Análise final integrada. Cada etapa foi concebida com base em diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Cardiologia e literatura internacional de referência, favorecendo uma aplicação clínica coerente com a realidade dos serviços de saúde. A etapa Forma contempla a análise da qualidade técnica do traçado (velocidade de registro, calibração, filtros aplicados), além da morfologia das ondas P, QRS, T e U. A seguir, a Frequência cardíaca é calculada de forma prática, com métodos distintos para ritmos regulares e irregulares. Na análise do Ritmo, o foco está em reconhecer a presença de ritmo sinusal ou não sinusal, com ênfase na morfologia da onda P em derivações específicas. O Eixo cardíaco é avaliado com base na análise combinada de D1 e aVF, identificando desvios com rapidez. A etapa dos Intervalos inclui PR, QRS e QTc, com destaque para suas implicações clínicas em distúrbios de condução e risco arrítmico. Já a investigação de Isquemia e Infarto segue critérios objetivos, como alterações do segmento ST, presença de ondas Q patológicas e inversão de onda T em derivações contíguas. Finalmente, a etapa de Alterações promove uma releitura sistemática dos achados com base no modelo FFREIIA-A, permitindo a correlação dos dados eletrocardiográficos com informações clínicas do paciente. Essa sistematização sequencial permite que profissionais em formação conduzam a interpretação do ECG com maior autonomia e segurança. Um dos principais diferenciais do método FFREIIA-A é seu caráter cíclico e revisável: diante de qualquer achado anômalo — seja ele técnico (como erros de calibração ou posicionamento de eletrodos), alterações da frequência cardíaca (bradicardia ou taquicardia), intervalos patológicos (como prolongamento do QTc ou bloqueios atrioventriculares), sinais de isquemia ou infarto, ou ainda outras alterações eletrolíticas e metabólicas (como hipo/hipercalemia) — o intérprete é orientado a retornar aos passos anteriores do método, reavaliando sistematicamente cada componente. Esse processo iterativo conduz a uma Análise final diagnóstica mais robusta, lógica e contextualizada, integrando os achados eletrocardiográficos com a clínica do paciente. Conclusão: A abordagem de achados eletrocardiográficos de significado clínico indeterminado permanece insuficientemente sistematizada, particularmente nos cenários em que a avaliação diagnóstica inicial não identifica evidências de patologia cardíaca estrutural ou funcional. Este artigo propõe um arcabouço metodológico, fundamentado em evidências publicadas e no consenso de especialistas, para a análise e a classificação desses achados. O objetivo é apoiar a padronização da tomada de decisão clínica, com ênfase na definição de critérios para a indicação de métodos diagnósticos complementares, na determinação da extensão apropriada da investigação cardíaca e na avaliação da necessidade de acompanhamento longitudinal. O método FFREIIA-A representa uma ferramenta valiosa de ensino e prática clínica para a interpretação do ECG por não especialistas. Sua aplicação sistematizada pode reduzir erros, aumentar a autonomia de profissionais em formação e apoiar decisões clínicas em tempo real. Recomenda-se sua inclusão em programas de ensino médico e capacitações multiprofissionais em saúde.
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Referências
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